Um hotel é um lugar no qual os hóspedes repousam e descontraem. Um ambiente interior saudável e confortável são atributos obrigatórios, por forma a que os visitantes se sintam satisfeitos durante a sua estada. Contudo, desafortunadamente, o ar, no interior de um hotel, pode encontrar-se mais poluído do que o ar no seu exterior. A qualidade do ar é um factor importante e relevante como componente de um hotel, por conseguinte, este capítulo destina-se à identificação dos poluentes mais comuns num hotel, à sua descrição e à eliminação dos mesmos. A melhoria da qualidade do ar resulta numa maior produtividade e numa menor ausência laboral dos funcionários provocada por enfermidades, e subsequentemente em mais receitas derivadas de um incremento na satisfação por parte dos clientes.
Tem-se verificado, na última década, uma preocupação crescente com a qualidade do ar no interior dos hotéis. A seguinte combinação de factores muito tem vindo a contribuir para um agravamento dos problemas:
O conforto térmico e os diversos poluentes afectam grandemente a qualidade do ar. O conforto térmico é determinado por três factores: a temperatura, a humidade e a circulação do ar. A temperatura do ar está sujeita a vários factores, entre os quais, a temperatura regulada no sistema de ar condiciondo, a intensidade dos raios solares incidentes e a presença de fontes de calor como as luzes, aparelhos e dispositivos de cozinha, etc. Um nível alto de humidade estimula o aparecimento de bolores e de fungos indesejáveis nos tecidos, nas mobílias e em várias partes do próprio edifício, no entanto, um nível reduzido de humidade pode provocar irritações nos olhos, no nariz e na garganta, além disso, causa descargas de electricidade estática, o que se torna desconfortável para os ocupantes do hotel. Um adequado fluxo de ar envolvendo o corpo humano, é imprescindível para que haja um conforto térmico. O nível do fluxo de ar indicado depende estritamente de duas variáveis, temperatura do ar e humidade.
Os hotéis estão sujeitos à introdução de uma série de poluentes oriundos de fontes diversas. A monitorização e controlo dos poluentes é, cada vez mais, um aspecto importante nos hotéis, dado o impacto que têm sobre os seus ocupantes. Os poluentes mais comuns, num hotel, e a sua origem são enumerados em seguida:
O Asbesto (amianto) pode estar presente no edifício e nas suas várias instalações, em vaporizadores, em paredes com pinturas texturizadas, em quadros de insulamento, nos interruptores e noutros materiais insuladores, fios eléctricos, cimento plástico, cobertores, etc. O asbesto são fibras minerais presentes em vários produtos cuja inalação está estritamente ligada à asbestose (fibrose pulmonar por exposição ao asbesto), ao cancro pulmunar e à mesotelioma (tumor maligno canceroso).
Os Poluentes Biológicos incluem as bactérias, os fungos e os ácaros. A propagação acelerada dos poluentes biológicos efectua-se através de uma ventilação inadequada dos sistemas de ventilação e dos filtros sujos, da falta de manutenção dos sistemas, do controlo inadequado da humidade e da condensação levada pelos próprios ocupantes, ou pelo sistema de ventilação para dentro do edifício. Estes podem causar espirros, tosse, dificuldades na respiração, tonturas, letargias, reacções alérgicas e asma.
Dióxido de Carbono – um nível elevado de dióxido de carbono significa que existe uma carência no fornecimento de ar fresco. Os níveis de concentração elevados são frequentemente causados por uma partição ineficaz dos compartimentos, por uma utilização intensa do mesmo espaço por várias pessoas, pela não abertura regular das janelas e por deficiências e falta de manutenção do sistema de ventilação.
O Monóxido de Carbono e Dióxido de Azoto pode estar presente nos fumos de várias origens, nos fornos a gás, nas combustões efectuadas por diversos dispositivos que servem o hotel. Um nível elevado de dióxido de azoto provoca irritações no ser humano, porém um nível elevado de monóxido de carbono é fatal.
O Fumo do Tabaco é uma mistura da combustão do tabaco, que constitui o cigarro ou charuto, e do fumo exalado pelo fumador. Trata-se de uma mistura complexa com mais de 4000 compostos químicos. Provoca sintomas de bronquite crónica (tosse, catarro, respiração dificultosa e ofegante), ataques cardíacos, aumenta significativamente os riscos de cancro, cancro pulmonar e outras enfermidades respiratórias.
O Formaldeído (formol) provém de emissões oriundas das mobílias, de espumas insuladoras com formaldeído, fluídos de limpeza, adesivos, alcatifas e carpetes, etc. Concentrações elevadas de formaldeído causam irritações nos olhos, nariz e a nível respiratório. Suspeita-se que o formaldeído seja um carcinogéneo.
A Poluição Exterior é gerada por pólens, poeiras, gases emitidos por veículos, combustão de produtos industriais. Esta pode ser introduzida dentro dos edifícios através dos sistemas de aquecimento, ventilação e ar condicionado.
O Ozono é gerado pelas impressoras a lazer, fotocopiadoras, faxsimiles e equipamento de limpeza do ar (ex. filtros e ionizantes). O ozono é também um produto das emissões atmosféricas dos veículos e dos raios solares, pelo que as áreas com muito tráfego são uma fonte de ozono, transportado através dos sistemas de aquecimento, ventilação e ar condicionado. Este provoca irritações nos olhos e no aparelho respiratório.
O Radon é um gás radioactivo incolor e inodoro proveniente do granito utilizado nos edifícios e noutros materiais de construção. Os locais que não sejam convenientemente ventilados podem acumular uma grande concentração de radiação. A exposição a concentrações consideráveis de randon aumenta a probabilidade de cancro pulmonar.
Compostos Orgânicos Voláteis (COV) – Nos efeitos associados aos COV incluem-se as dores de cabeça, dores nos olhos, irritações no nariz e na garganta, a danificação do fígado, rins e sistema nervoso. Os produtos que emitem COV são os seguintes: materiais de construção, mobílias feitas de madeira prensada, pinturas, fotocopiadoras, impressoras, adesivos, alcatifas e carpetes, produtos de limpeza, desinfectantes, cosméticos, etc.
Apresentam-se três estratégias básicas para um controlo da qualidade do ar num hotel.
A qualidade do ar é o resultado da conjugação de diversos factores, consideravelmente complexos, subjacentes a cada edifício em particular. Não se trata de uma matéria para a qual haja um fórmula única, susceptível de ser aplicada de uma forma única em todos os edifícios, pelo contrário, determinadas acções, que muito podem contribuir para a melhoria do ar num determinado edifício, não produzirão os mesmos efeitos num outro edifício. Para a prevenção eficiente e manutenção da qualidade do ar, há que conceber uma estratégia de gestão específica para cada edifício. Um programa, eficiente e eficaz, de gestão da qualidade do ar repercutir-se-á numa redução de custos na preservação dos materiais, num aumento do ciclo de vida desses materiais e numa diminuição de potenciais reclamações. Nos próximos capítulos, algumas abordagens e sugestões, agrupadas por áreas de aplicação, serão descritas relativamente ao melhoramento da qualidade do ar.

(Foto 4.1) Uma melhor qualidade do ar na empresa hoteleira resulta numa melhor satisfação por parte dos
clientes.

(Foto 4.2) Um bom sistema de ventilação e de ar condicionado são necessários para que haja uma ventilação
adequada.

(Foto 4.3) Níveis elevados de dióxido de azoto e de monóxido de carbono dentro do veículo afecta, seriamente, a saúde do condutor e dos
passageiros.

(Foto 4.4) As emissões de formaldeído (formol) têm origem, essencialmente, nas mobílias e nas
carpetes/alcatifas.

(Foto 4.5) As impressoras a laser produzem ozono.

(Foto 4.6) O Radon é um gás radioactivo incolor e inodoro libertado pelo mármore.

(Foto 4.7) Os compostos orgânicos voláteis são, normalmente, libertados pelas
tintas.

(Foto 4.8) Controlar e monitorizar a qualidade do ar,
regularmente.

(Foto 4.9) (Esquerda) Filtros duplos podem ser instalados.
(Direita) Um sistema de filtração do ar multi-níveis, incluindo pré-filtro, filtro de célula colectora electroestática e filtro de carvão activado podem remover os poluentes do ar com dimensões até aos 0.01 microns, bem como eliminar odores desagradáveis.

(Foto 4.10) (Em cima) Optar por purificadores de ar electroestáticos de forma a reduzir a quantidade de particulas suspensas no ar e a eliminar odores desagradáveis.
(Em baixo) Optar por tecnologia de oxidação nano-fotocatalítica de forma a destruir e a decompor bactérias, vírus, compostos orgânicos voláteis e
odores.

(Foto 4.11) Vaporizar o sistema de ventilação, com um óleo de árvore de forma a minimizar a formação de
mofo.

(Foto 4.12) Uma máquina de lavar a seco com um sistema de recuperação de vapor controla as emissões
prejudiciais.

(Foto 4.13) Instalar a máquina fotocopiadora num recinto à parte.